Qualquer bom gestor sabe ver se os seus trabalhadores estão satisfeitos ou insatisfeitos, certo? Errado. Não é contando o número de vezes que alguém canta a caminho da máquina do café que se descobre até que ponto os funcionários se sentem bem na empresa. Mas esse indicador pode ser bem mais fidedigno que a resposta aos questionários "obrigatórios" que os departamentos de recursos humanos levam a cabo uma vez por ano. Perguntar o grau de satisfação de 1 a 5 é a melhor maneira de ter uma resposta inútil.
Foi a pensar nesta lacuna que duas empresas portuguesas, Via Consulting e Ask For Alchemy, criaram um software próprio para medir a felicidade das pessoas no local de trabalho. Chama-se "Are You Happy" e determina o nível de felicidade entre 0 e 4, com muitas casas decimais pelo meio. Segundo Luís Pereira, presidente executivo da Via Consulting, o processo de análise pode demorar até três meses em cada empresa. E, por vezes, os resultados são surpreendentes.
"A qualidade emocional das pessoas em ambiente de trabalho é um contributo mais decisivo que o QI para a produtividade", explica o responsável, sublinhando que este ainda é um aspecto pouco explorado em Portugal. "Se as pessoas se sentirem mais satisfeitas no ambiente de trabalho, vão ser mais produtivas e mais empenhadas", adianta Luís Pereira, "e isto é algo que a comunidade científica tem vindo a comprovar".
O software tem um questionário de base, mas é necessário trabalhar com a empresa cliente para adaptar as perguntas. Tudo depende do tipo de actividade da empresa, se é um SPA ou uma repartição de Finanças, e do tipo de funcionários que tem. Além disso, um funcionário de call center recebe menos perguntas que o gestor de contas num banco. "O racional é muito diferente dos questionários tradicionais", explica Luís Pereira, exemplificando: uma das perguntas que pode ser feita é se o trabalhador tem o hábito de cumprimentar o recepcionista quando chega de manhã.
Depois de compiladas as respostas, o algoritmo do software determina o nível médio de felicidade. E este costuma ser baixo entre os trabalhadores portugueses. Luís Pereira frisa que "tudo o que se relaciona com a capacidade de inovação está abaixo da média" e que as pessoas gostariam de ser "mais desafiadas". Por outro lado, o estilo de gestão das multinacionais desencoraja os afoitos: "Os funcionários cumprem mais e opinam menos", diz o responsável.
Outra situação que gera infelicidade é a não celebração dos momentos positivos das organizações. "A verdade é que as pessoas interpretam isso como não fazendo parte da empresa", indica Luís Pereira. Conforme os resultados, a Via Consulting fornece dicas e soluções para melhorar os índices e volta a fazer medição meses depois. "Para quem decidie às vezes faz-se um clique", remata o responsável, garantindo que as diferenças costumam ser substanciais.
Fonte: http://www.ionline.pt